A Eterna Dança Cósmica
Denise Bomfim

"A Física moderna representa a matéria não como passiva e inerte, mas em contínuo movimento de dança e vibração, cujos padrões rítmicos são determinados pelas estruturas moleculares. Essa é igualmente, a forma pela qual os místicos orientais encaram o mundo material. Todos esses místicos destacam o fato de que o universo precisa ser apreendido dinamicamente à medida que se move, vibra e dança, ou seja, que a natureza não se encontra em equilíbrio estático, mas dinâmico.

Para os físicos modernos, a dança de Shiva é, pois, a dança da matéria subatômica. Assim como na mitologia hindu, trata-se de uma contínua dança de criação e destruição, envolvendo a totalidade do cosmos e constituindo a base de toda a existência e de todos os fenômenos naturais."

Podemos observar a dança circular das estrelas, as constelações e planetas em relação com as estrelas fixas, a Terra girando em torno do sol, a lua bailando diversos ritmos, ora cheia, ora nova; a dança do pulsar de nossas veias e o Tempo mostrando seus diversos ritmos em estações. Tudo está em eterno movimento dançante.

Nós, seres humanos, às vezes nos desconectamos desse movimento. Através das inquietudes do dia-a-dia, o estresse nos faz perder o ritmo. Perdendo o ritmo e a esperança surge a depressão, a tristeza. Não havendo espaço para a mudança, nosso coração se desliga da saúde. Nosso sistema imunológico entra em desequilibro fazendo surgir as doenças.

Entretanto, no processo de adoecimento, podemos retomar nosso ritmo através de uma atitude positiva que será determinante para o tratamento. Uma vez gerados os sentimentos de possibilidade de cura e de esperança, restabelecemos a "dança" (nossa harmonia física e mental), e nosso organismo traduzirá esse benefício em equilíbrio imunológico, em saúde.

Diz-se que "quem dança é mais feliz" ou "quem dança tem mais esperança". É louvável a opinião de que o movimento da dança traz boa mudança. Dançando, nós nos reconectamos com nosso "deus" ou "deusa" interior: "Eis esse deus...que se ajuste aos ritmos de Ra!..." Um bom exemplo é a Dança do Ventre, uma dança milenar que nos dias atuais continua estabelecendo vínculos positivos com a saúde física e mental. Boa para quem a assiste e para quem a pratica.

Mesmo que você não se identifique com essa dança, persista na busca do equilíbrio de seu Ser. Não se acomode, dance, busque seu ritmo! Reajuste-o na vibração da eterna dança cósmica.

Denise Bomfim: http://denisebomfim.blogspot.com

Bibliografia:
"O livro dos mortos do antigo Egito", São Paulo, Ed. Hemus, 1982.
Capra, Fritjof, "O Tao da Física" e "O ponto de mutação", São Paulo, Ed. Cultrix, 1983.
Wosien, Maria Gabriele, "Danças Sagradas", Espanha, Ed. Del Prado, 1996.

Todas as opiniões e recomendações são de responsabilidade do autor.

Colaboradora: Denise Bomfim

Professora, Poetisa, apreciadora de Danças Árabes. Defende a tese do diálogo inter-religioso e de uma união fraternal entre Cristianismo, Islamismo e Judaísmo, da defesa dos Direitos Humanos, transmutando o nosso planeta em um ambiente mais igualitário.

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